Neste projeto, a concepção visual torna-se um fator que demanda uma maior atenção. Através de uma concepção visual bem elaborada cria-se uma maior probabilidade do espectador imergir na obra, sendo assim, as questões estéticas e conceituais colocadas em cena serão melhor aproveitadas.
“A Menina da Figueira” é em primeiro plano, uma obra regional. Concomitantemente trabalha com a regionalidade em diferentes níveis. Uma das leituras de regionalidade é justamente através do que o espectador vê e percebe enquanto arremesso de referências, ou seja, a parte visual será o primeiro fator a explicitar a proposta de imersão que este projeto oferece. Imersão que tem uma leitura díspar. Obviamente, trate-se de uma obra que usa como referências o barroco, a religiosidade, os costumes, entre outros fatores como fundador da atmosfera do ambiente. Por se deixar claro essas questões (por exemplo, especificadas pelas condições dos personagens) a imersão que se propõem neste projeto destoa e foge de qualquer verossimilhança. A experiência se dá aqui através do som, da tonalidade, da direção, da luz, ou seja, eventos estéticos, plásticos. Plasticidade é uma das palavras que poderia definir “A menina da Figueira”. Por ser um espaço atemporal, há uma possibilidade de misturar estilos e épocas, recorrer a signos que visualmente parecem interessantes para a obra. As principais referências tanto para o conceito de direção de arte, e direção de atores se encontram no início do século XIX, nas primeiras décadas, onde a luxúria se embatia com o espírito do Romantismo, onde racionalismo era praticamente nulo, as ações são impulsivas baseadas no desejo. Não há conseqüências para os personagens. O desejo é centrado nas vontades primatas do indivíduo. A religiosidade é altíssima. Chantagem e poder convivem sob a mesma origem. Há um idealismo irracional pelos personagens. Todos estão presos e são dependentes da hierarquia dos sentimentos. Ir contra ao outro para que sua vontade seja feita. Com a criação deste ambiente, a experiência vivenciada em primeira ordem é plástica e em segunda ordem é o jogo propriamente dito, com seus puzzles. O jogo acontece baseado na interatividade, sendo que esta só será explorada pelo espectador se visualmente a obra os estimula. Todo o quebra-cabeças da peça é montado gradativamente durante o espetáculo, ou seja, os caminhos a serem percorridos e as suas possíveis soluções, são intermináveis até que se chegue ao desfecho final. Em um primeiro desenho, a obra pode parecer parva, mas o aspecto visual e conceitual a cerca dos personagens é o que fará com que o espectador se interesse pelas incitações visuais oferecidas. É principalmente uma obra que mexe com o imaginário, com o impossível. Por isso a direção optou por trabalhar a plasticidade do teatro musical, utilizando as características corporais de Laban. “A Menina da Figueira” é um trabalho excepcionalmente ARTÍSTICO.
Proposta de Direção
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