Um completíssimo resumo, de forma poética, escrita pelo nosso amigo Marcelo Tosta.
“... E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente. ...”
Sentíssemos do pó a fímbria ruidosa do que Deus compôs em nossos cabelos, sentíssemos da massa desse mangue as nossas carnes, desse rio caudaloso quando a areia vira lama, nosso sangue; sentíssemos de nossos ossos a matéria prima da terra ajuntada mão a mão, côvado à côvado, concha a concha da mão de Deus cheia desse barro, hora preto, hora vermelho como os cabelos das putas mais felizes e perdidas, sentíssemos das nossas estruturas ósseas, a calcificação desse desterro que é ser feito assim, desse perecimento e entenderíamos que morte alguma nos matará! Porque o sopro desse deus maior está no pensamento e no espírito e de certo, nunca duvidaríamos da estória de Dora. Mas quem é Dora? Dora é menina, é menina que adora, vigora e suporta, é menina que sangra, que manga e vitória pouca é que não teremos para contar nesta missiva endereçada em mais esta missão.
E se Deus me desse a palavra como única e poderosa estrada para conseguir chegar, eu sei que a todos os meus contaria a estória dessa menina, que tendo vivida em terras dos sertões das Minas gerais, jamais em cálculos decimais, se dispunha a contar de si, toda a sua bondade e devoção, toda boa e cuidadora que era! Ah! Dora, quanta dor perder o colo e o asseio daquela que nos é protetora, em idade de sete anos se ver sem a mãe, subida em suspiro na hora do parto como um vento de arroubo, que balança cortinas, ressoa as florinhas do jardim e dos capins das terras, deixando apenas a ela, missão, missão, missão.
Encarar depois de mais sete anos, a tarefa rudimentar e constante de cuidar de Bento, abençoado na hora da morte e trazido em vida, para estender em seu colo de irmã a presença fecunda e constante da mãe. Dora jamais desistiu! E o coração não desiste na vida quando encontra nas cercas de fora de casa, a brasa que queima e refrigera, batiza e suaviza o coração! O Desejo era nascido então, quando ela conhece Tonho, que cuidava das flores, assim como ela, como o perfume de sua mãe! Tonho dialogava com a terra, com o chão, com o pó da divina oração conspurcada nas bíblias pretas, mas muito menos severa, debaixo de nossos pés, no profundo asseio que dá as sementes, para fazê-las brotadas, expulsas, gozadas em tecido doce e pele de arrimo, virando flor para enfeitar os quintais, os jardins, os cabelos das meninas, as igrejas, os altares, os matagais, as montanhas. Tonho era o médico das flores.
Neste mesmo tempo, tempo de amor, contado sete anos, sete de sua sina, tempo de sua dor. Seu irmão Aurélio, recém chegado da capital n’onde estivera em estudo, também se tornara parte de sua atenção, ambicioso e passional dado que era o menino, longe da visão descuidada e carecida de afeto do pai, sozinho há tanto tempo já, desfalecido pela saudade da mulher, não davam a Dora outra opção senão, enamorar-se de Tonho as escondidas, dedicar-lhe seu amor e sua vida, nos olhos que falam das purezas e pagam e amenizam a dor, em carinho, amor e segredo! Semente devotadamente plantada no asseio do peito, esperando a hora certa para o arrimo da terra para depois florescer.
Nesta mesma época, chega nos arredores desta cidade, jovem viúva, cheia de intencionadas ambições, cheia de um fogo, rapidamente reconhecido pelas putas, estas senhoras tão nobres que a nobreza por medo de si mesma, faz questão de afastar dos salões, para não desarrumar as filas e os pelotões de desencorajados! A mulher cheia de vontade de casamento, é logo alvo do amor uníssono e comum de Aurélio e de seu pai! O que estaria para se armar, o que estaria para se amar e se fazer doer? Muita dor logo adviria, e mesmo sendo cautelosa e toda amparada em pés mansos e recatos, Dora, em seu peito podia sentir.
A trama se desenrola de modo que mesmo casando-se com o honroso pai de família, a jovem viúva, agora madrasta, não se nega ao desejo, espaçoso, febril e ambicioso com o seu enteado. Desde então, Aurélio, completamente seduzido, pelas divinas e luxuriantes teias e farpas dessa mulher, planeja contra o pai, o que logo Dora se faz conhecedora, tornando-se ameaça para a madrasta que além de tudo, sente um tremendo ciúme da bondosa e empenhada filha, muitíssimo reportada a imagem da falecida mulher de seu atual marido. E aí que muitas coisas acontecem! Muitos maldades se estendem ao passo de uma incrível e encantada resolução para os seus planos até então ameaçados.
Em época de viagem de seu pai, Dora é arrastada e levada a Figueira, lugar de encantamento e ancestralidade e é violentamente enterrada viva por sua madrasta.
Entendedora da terra, possuída por proteção e magia, a estória mantém Dora, debaixo da terra, ainda viva e por muito tempo, sendo cuidada por sua mãe, que aparece em figura divinal representada oniricamente pela figura de uma santa, que entoando uma linda melodia, tentará de todas as formas fazer de tudo para salvar e reajustar como a própria terra e o tempo, a vida de Dora, que somente anseia por seguir e ir ao encontro de quem a ame e a cuide também.
Tonho, é a figura para quem a mãe de Dora aparecerá também, como uma guerreira doce e celestial, empenhada em tarefa de justiça e salvação, levará a estória a um final lindo, sublime, encantador e comovente!
...
Do que posso dizer da Terra? Apenas que não há pena que não seja cuidada em redenção e nem há vitória ou caminho, que não esteja contado, no silêncio das estradas, cidades e vilarejos. Tudo conta, quando temos a madura predisposição de ouvir e da arte isso é o que nos interessa! Salve Dora! Salve os cancioneiros! Salve os ouvidos bons de todo artista e seu divino dom de fazer correr tudo que precisa ser dito pela natureza do tempo.
Meu grande beijo a todos os atores que emprestarão seu corpo para esta linda estória e lindo trabalho.
Marcelo Tosta
“... E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente. ...”
Sentíssemos do pó a fímbria ruidosa do que Deus compôs em nossos cabelos, sentíssemos da massa desse mangue as nossas carnes, desse rio caudaloso quando a areia vira lama, nosso sangue; sentíssemos de nossos ossos a matéria prima da terra ajuntada mão a mão, côvado à côvado, concha a concha da mão de Deus cheia desse barro, hora preto, hora vermelho como os cabelos das putas mais felizes e perdidas, sentíssemos das nossas estruturas ósseas, a calcificação desse desterro que é ser feito assim, desse perecimento e entenderíamos que morte alguma nos matará! Porque o sopro desse deus maior está no pensamento e no espírito e de certo, nunca duvidaríamos da estória de Dora. Mas quem é Dora? Dora é menina, é menina que adora, vigora e suporta, é menina que sangra, que manga e vitória pouca é que não teremos para contar nesta missiva endereçada em mais esta missão.
E se Deus me desse a palavra como única e poderosa estrada para conseguir chegar, eu sei que a todos os meus contaria a estória dessa menina, que tendo vivida em terras dos sertões das Minas gerais, jamais em cálculos decimais, se dispunha a contar de si, toda a sua bondade e devoção, toda boa e cuidadora que era! Ah! Dora, quanta dor perder o colo e o asseio daquela que nos é protetora, em idade de sete anos se ver sem a mãe, subida em suspiro na hora do parto como um vento de arroubo, que balança cortinas, ressoa as florinhas do jardim e dos capins das terras, deixando apenas a ela, missão, missão, missão.
Encarar depois de mais sete anos, a tarefa rudimentar e constante de cuidar de Bento, abençoado na hora da morte e trazido em vida, para estender em seu colo de irmã a presença fecunda e constante da mãe. Dora jamais desistiu! E o coração não desiste na vida quando encontra nas cercas de fora de casa, a brasa que queima e refrigera, batiza e suaviza o coração! O Desejo era nascido então, quando ela conhece Tonho, que cuidava das flores, assim como ela, como o perfume de sua mãe! Tonho dialogava com a terra, com o chão, com o pó da divina oração conspurcada nas bíblias pretas, mas muito menos severa, debaixo de nossos pés, no profundo asseio que dá as sementes, para fazê-las brotadas, expulsas, gozadas em tecido doce e pele de arrimo, virando flor para enfeitar os quintais, os jardins, os cabelos das meninas, as igrejas, os altares, os matagais, as montanhas. Tonho era o médico das flores.
Neste mesmo tempo, tempo de amor, contado sete anos, sete de sua sina, tempo de sua dor. Seu irmão Aurélio, recém chegado da capital n’onde estivera em estudo, também se tornara parte de sua atenção, ambicioso e passional dado que era o menino, longe da visão descuidada e carecida de afeto do pai, sozinho há tanto tempo já, desfalecido pela saudade da mulher, não davam a Dora outra opção senão, enamorar-se de Tonho as escondidas, dedicar-lhe seu amor e sua vida, nos olhos que falam das purezas e pagam e amenizam a dor, em carinho, amor e segredo! Semente devotadamente plantada no asseio do peito, esperando a hora certa para o arrimo da terra para depois florescer.
Nesta mesma época, chega nos arredores desta cidade, jovem viúva, cheia de intencionadas ambições, cheia de um fogo, rapidamente reconhecido pelas putas, estas senhoras tão nobres que a nobreza por medo de si mesma, faz questão de afastar dos salões, para não desarrumar as filas e os pelotões de desencorajados! A mulher cheia de vontade de casamento, é logo alvo do amor uníssono e comum de Aurélio e de seu pai! O que estaria para se armar, o que estaria para se amar e se fazer doer? Muita dor logo adviria, e mesmo sendo cautelosa e toda amparada em pés mansos e recatos, Dora, em seu peito podia sentir.
A trama se desenrola de modo que mesmo casando-se com o honroso pai de família, a jovem viúva, agora madrasta, não se nega ao desejo, espaçoso, febril e ambicioso com o seu enteado. Desde então, Aurélio, completamente seduzido, pelas divinas e luxuriantes teias e farpas dessa mulher, planeja contra o pai, o que logo Dora se faz conhecedora, tornando-se ameaça para a madrasta que além de tudo, sente um tremendo ciúme da bondosa e empenhada filha, muitíssimo reportada a imagem da falecida mulher de seu atual marido. E aí que muitas coisas acontecem! Muitos maldades se estendem ao passo de uma incrível e encantada resolução para os seus planos até então ameaçados.
Em época de viagem de seu pai, Dora é arrastada e levada a Figueira, lugar de encantamento e ancestralidade e é violentamente enterrada viva por sua madrasta.
Entendedora da terra, possuída por proteção e magia, a estória mantém Dora, debaixo da terra, ainda viva e por muito tempo, sendo cuidada por sua mãe, que aparece em figura divinal representada oniricamente pela figura de uma santa, que entoando uma linda melodia, tentará de todas as formas fazer de tudo para salvar e reajustar como a própria terra e o tempo, a vida de Dora, que somente anseia por seguir e ir ao encontro de quem a ame e a cuide também.
Tonho, é a figura para quem a mãe de Dora aparecerá também, como uma guerreira doce e celestial, empenhada em tarefa de justiça e salvação, levará a estória a um final lindo, sublime, encantador e comovente!
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Do que posso dizer da Terra? Apenas que não há pena que não seja cuidada em redenção e nem há vitória ou caminho, que não esteja contado, no silêncio das estradas, cidades e vilarejos. Tudo conta, quando temos a madura predisposição de ouvir e da arte isso é o que nos interessa! Salve Dora! Salve os cancioneiros! Salve os ouvidos bons de todo artista e seu divino dom de fazer correr tudo que precisa ser dito pela natureza do tempo.
Meu grande beijo a todos os atores que emprestarão seu corpo para esta linda estória e lindo trabalho.
Marcelo Tosta



